Como o Marketing e Design Podem Conviver?

June 10, 2016

Os conceitos de marketing e design estão intimamente relacionados no cotidiano do mercado de trabalho, podendo ser vistos como base conceitual um do outro, mas por visões distorcidas e superficiais, que estão enraizadas nessa relação, os mesmos encontram-se em lados opostos e em constante conflitos ideológicos. Em outras palavras, podemos dizer que a filosofia do marketing e do design deveriam se complementar, mas infelizmente não é isso que ocorre.

 

Iremos tentar compreender, essa visão limitada, que parte dos profissionais de ambas as áreas possuem, indo para as suas respectivas origens históricas. Ou seja, vamos entender como cada uma das atividades em questão tiveram início e assim criar um paralelo com o cenário de mercado que vivemos.

 

Analisando inicialmente a origem do marketing moderno, que data do final da Segunda Grande Guerra, o qual possuía uma função restrita de vendas. Mas devido a sua relevância para as empresas em que atuava em compreender as reais necessidades dos consumidores, com o passar do tempo, viria a ocupar papeis de maior importância estratégicas em suas organizações, tornando-se assim uma peça chave no planejamento e futuramente no sucesso das marcas que eram geridas por ele.

 

Já o conceito do design, inicia-se na Revolução Industrial, que dá origem a demanda por profissionais aptos a desenvolver projetos que seriam produzidos pelas maquinas das indústrias. Ocasionando com isso, uma mudança na forma com que os artesões trabalhavam, fazendo com que os mesmos, que anteriormente pensavam e produziam produtos exclusivos para a burguesia, passassem a dar lugar aos desenhistas industriais, os quais por sua vez, elaboravam os produtos que seriam produzidos em escala industrial.

 

Mas não podemos falar da história do design sem mencionar a Bauhaus, uma escola democrática com o objetivo de formar profissionais no campo da arquitetura e do design, fundada por Walter Gropius em 1919 na Alemanha, onde a ideia de especialização do artesão na produção em série com projetos sem ornamentos e de fácil execução ganha expressão.

 

Mas o momento histórico mais relevante para o questionamento aqui levantado, foi o Styling, um movimento de marketing que usou o design de forma superficial e banal, pois o mesmo tinha a função de maquiar os produtos com frisos, adornos e detalhes, que muitas das vezes se mostravam dispensáveis, sem nenhuma preocupação em resolver os problemas técnicos ou de funcionalidades dos produtos. Esse movimento foi consequência da crise de 29, uma vez que os preços tinham sido tabelados pelo National Recovery Act, e a solução encontrada pelo marketing foi em usar o design como ferramenta de diferenciação estética dos produtos.

 

Após o levantamento histórico das duas atividades aqui trabalhadas, é possível identificarmos as origens não apenas dos conceitos de marketing e design, mas também do preconceito inerente a alguns profissionais de marketing em relação ao design, assim como preconceitos inerentes dos designers em relação ao marketing. Preconceitos esses que colocam o design como uma atividade meramente estética, sem função relevante para o negócio e o marketing com o único propósito de vender, sem se preocupar com a empresa como um todo.

 

Exemplos como a Apple põem em questão todos esses preconceitos anteriormente mencionados, pois a mesma é referência não apenas em design, mas também em marketing, sendo uma das maiores empresas do seu setor e possuindo a marca mais valiosa do mundo, custando 118,863 bilhões de dólares em 2015, segundo o bestglobalbrands.com.

 

Conforme Niemeyer (1998), o marketing caracteriza-se como um sinalizador para o desenvolvimento do projeto e o design constitui peça fundamental para o marketing atingir seus objetivos. A responsabilidade social do design na melhoria da qualidade de vida do usuário, leva em conta o compromisso ético, cultural, ambiental, de bem-estar, que este profissional deve apresentar ao considerar as necessidades e valores do consumidor. O marketing auxilia o projeto na interface do design/usuário, sobretudo na pesquisa de comportamento.

 

Em uma analogia simples, podemos dizer que assim como em uma linha férrea, onde mesmo que a mesma cubra de forma plena todas as principais necessidades de um país, com estações localizadas em pontos estratégicos, para que o público possa chegar facilmente a elas, nada disso será relevante, se não tivermos bons trens levando as pessoas para os seus destinos. Assim como de nada adianta termos excelentes trens, pensados desde suas funções até o equilíbrio estéticos dos mesmos, se não possuírem linhas adequadas para circularem.

 

Resumidamente, marketing e design podem existir separadamente, mas quando se unem ficam mais fortes e tornam suas ações mais eficientes, com resultados melhores para todos os envolvidos, tanto para as organizações com par ao público. Ou seja, com o marketing identificando as demandas do público e se posicionando no mercado, permite que o design possa com isso resolver os problemas inerentes a esse mapeamento de forma coerente com o estudo prévio feito. Do contrário, o design pode criar respostas que não agregam valor as marcas, ou o marketing não consiga se posicionar de forma sólida e evidente perante o seu público.

 

Mas para essa relação funcionar, é preciso que os profissionais de marketing evoluam e parem de querer ver os designs como uma ferramenta estética, com apelos visuais. E por sua vez os designers se atualizem é entendam que marketing, há muito tempo, já não é apenas vendas, é uma função complexa de estratégia. E que juntos tem o potencial de entender o mercado, se posicionar nele e oferecer soluções que atendam às necessidades dos seus interlocutores de forma a agregar valor para as organizações.

 

 

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