Com Que Cabeça Estamos Criando?

October 7, 2014

Só nos primeiros 6 meses de 2015 vimos 3 campanhas de âmbito nacional, vinculada a grandes marcas, referência em seus setores, que foram amplamente criticadas pelo o que estão comunicando em suas campanhas.

 

A mais recente foi uma ação da farmacêutica Sanofi que produz o medicamento Novalfem, o qual se propõem a resolver as dores causadas pela cólica menstrual. Com o conceito “Sem Mimimi” a marca acabou relacionando as dores causadas pela cólica menstrual a um problema sem fundamento, “frescura”.

 

A Novalfem e a Publicis, agencia responsável no desenvolvimento da campanha, se defendem dizendo que se basearam em uma pesquisa de mercado onde diz que mais de 75% das mulheres deixam de fazer atividades do cotidiano por causa das cólicas menstruais. Mas em vez de elas reforçarem a solução que estão oferecendo ao mercado, que é a possibilidade das mulheres poderem aproveitar ao máximo todo o seu dia, eles exploraram o problema e o mais grave minimizaram o mesmo ao chamá-lo de “Mimimi”.

 

Como uma marca que se propõem a oferecer uma solução para um problema, torna esse mesmo problema em algo sem importância? Isso é uma estratégia que particularmente não compreendo.

 

A outra campanha que causou controversas foi a do absorvente Always que teve como modelo a apresentadora Sabrina Sato. A ação tinha um cunho bastante nobre, onde mostrava toda uma preocupação com as consequências para as vítimas de vazamento de vídeos e fotos intimas na web.

 

O ponto que comprometeu a ação foi em primeiro lugar a banalização da expressão, “vazamento”, onde foi feito um trocadilho para falar de menstruação e a exposição ilegal de fotos e vídeos na internet. A exposição indevida de mulheres é crime e deveria ser abortado de forma mais cautelosa pela marca.

 

Outro aspecto que compromete a ação é a representações gráficas usada, onde mostra a Sabrina nua de forma descontraída e feliz, em uma campanha que estava trabalhando aspectos opostos a esses, como constrangimento e humilhação. Além de aproveitar o clima de constrangimento criado para vender um absorvente, em vez de usar a campanha para fortalecer o posicionamento da marca Always, como uma empresa que se propõem a proteger as mulheres.

 

A terceira marca envolvida nessas polemicas foi a líder de mercado Risquei, que através do conceito “O homem que queremos”, reforça estereotipo que os homens são extraordinários ao fazerem ações que deveriam ser nada mais do que suas obrigações.

 

Causando assim uma indignação pelo público feminino que mostrou que o homem que elas querem não são esses que se consideram especiais por fazer coisas que deveriam fazer sempre.

 

Na ação da Risque fica claro a falta de sintonia da marca com o seu interlocutor, mostrando que eles não sabem o que elas querem. Aí fica uma grande questão, se essa marca não sabe o que as mulheres querem como ela vai resolver os problemas dessas mesmas mulheres?

 

Essas campanhas só deixam um ponto claro, que em uma sociedade cada vez mais informada e com mulheres que brigam diariamente pelo seu espaço, as marcas e as agências estão com uma cabeça antiquada e muitas vezes não entende o que realmente as mulheres pensam ou precisam.

 

As três ações têm em comum a falta de sintonia com o público feminino e são três marcas que se destinam a esse mesmo público, por isso está mais do que claro que está na hora dos comunicadores se preocuparem um pouco mais com quem eles estão falando pois é impossível se comunicar com alguém que você não conhece.

Obs.: No dia 24 de setembro, 2015 o site dnews.com.br fez uma matéria muito boa sobre esse tema, com o título: "Como o cibe feminismo está moldando uma nova publicidade?"

 

Levantando pontos bem interessantes, entre eles, a forma que as mulheres brasileiras se veem representadas pela publicidade.

 

Confira a matéria na íntegra:

 

http://www.adnews.com.br/youpix/como-o-ciberfeminismo-esta-moldando-uma-nova-publicidade

 

 

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